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Síndrome do “Faz de Qualquer Jeito” na Contabilidade

(por Júlio César Zanluca – contabilista e coordenador do site Portal de Contabilidade)

Contabilistas exaustos pelas pesadas obrigações acumuladas, jornadas extenuantes, legislação extremamente complexa e arcaica, burocracia… quem de nós, contabilistas, já não enfrentou ou enfrenta diariamente tais situações?

O presente artigo não se propõe a tentar resolver estes dilemas da profissão, mas das consequências conexas que podem ser perigosas para nosso desempenho profissional: a síndrome do “faz de qualquer jeito”.

Estamos em plena época de preparação da declaração o imposto de renda das pessoas físicas. Ao aceitarmos elaborar centenas de declarações em curto espaço de tempo, estamos nos expondo excessivamente ao cansaço, fadiga e erros. Que tal fazer menos declarações e cobrar uma remuneração mais justa por cada uma?

Exemplos:

Ao invés de 200 declarações a irrisórios R$ 30,00 cada (R$ 6.000,00 de receita no total), que tal elaborar 90 declarações (1 ou 2 por dia, no período de março a abril) a, no mínimo, R$ 100,00 cada, para obter uma receita de R$ 9.000,00? Menos trabalho e mais lucro!

Ao invés de 150 empresas para executar a contabilidade, área fiscal, trabalhista, previdenciária, legal, etc., com honorários reduzidos, que tal focar em segmentos (por exemplo, contabilidade de cooperativas, ou de ONGs, condomínios, ou ainda de médias empresas com foco em planejamento tributário), tendo 30 ou 40 clientes, com menor tempo de serviço e com melhor remuneração no total?

Você investiu em treinamento, equipamento, pessoal e qualificação técnica para atender adequadamente o cliente? Ou primeiro busca o cliente e depois a qualificação? Cuidado! Os erros costumam ser enormes, ao se inverter as prioridades em áreas tão sensíveis quanto contabilidade, tributação e trabalhismo.

Estas e outras reflexões são necessárias aos profissionais de contabilidade. Fazer a contabilidade “de qualquer jeito” pode trazer consequências prejudiciais não só ao nosso cliente como também a nós próprios (pela responsabilidade civil, tributária e trabalhista inerente).

Não faça “de qualquer jeito”, faça certo!

Atualize-se profissionalmente com nossas obras das áreas contábil, tributária e trabalhista.