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Calcular a viabilidade do negócio garante lucro

por Gilmar Duarte – via e-mail 05.09.2018

O início de qualquer atividade deveria ser precedido do cálculo de sua viabilidade econômico-financeira, que aponta o capital necessário e sugere se vale ou não o investimento no ramo escolhido.

Caso contrário talvez seja melhor abandoná-lo e buscar outro que apresente melhores resultados no futuro.

A análise de viabilidade, ideal para começar um novo negócio, também pode ser feita no decurso de uma empresa cuja continuidade esteja em dúvida. Neste artigo trataremos do investidor que deseja constituir uma nova empresa.

As etapas aqui detalhadas também se aplicam a uma empresa existente, cujo maior volume de informações facilita o cálculo.

O desejo de investir num novo negócio – abrir uma empresa – ocorre por diversos motivos: perda de emprego e dificuldade de recolocação no mercado de trabalho, realização do antigo sonho de ter o próprio negócio, investir para obter pró-labore e lucro, garantia de futuro, prestação de serviços à sociedade etc.

Por qualquer que seja o motivo que leve alguém a investir é desejável saber as perspectivas de futuro, caso contrário é possível perder dinheiro próprio e, muitas vezes, também de familiares que acreditaram no seu sonho.

Infelizmente, o óbvio – buscar informações para saber da viabilidade do negócio – é pouco comum, motivo pelo qual é grande o índice de fechamento precoce das empresas. O Sebrae divulga periodicamente a mortalidade das empresas e sabemos que em três anos ao menos 50% deixam de existir.

Se você está decidido a investir o seu capital tire uma pequena parcela para remunerar um contador ou administrador para lhe ajudar a fazer a análise de viabilidade. Em 2016 abordei este tema e apontei diversos itens que devem ser levantados. Sugiro a leitura deste artigo que pode ser acessado pelo link http://gilmarduarte.com.br/blog_post/97/Estudo%20da%20viabilidade%20de%20um%20novo%20negócio

Hoje serei mais direto e considerarei que o investidor já validou a ideia, pesquisou o mercado, escolheu o ponto, tem os fornecedores e conhece as despesas para a manutenção, mas deseja fazer a conta da viabilidade, ou seja, descobrir o ponto de equilíbrio e o lucro se atingir determinado volume de vendas.

Consideremos que são os seguintes os dados apurados:

 – Ramo de atividade: comércio varejista de roupas masculinas e femininas;

 – Espera-se faturamento de R$ 40 mil mensal no primeiro ano;

 – O imposto incidente (Simples Nacional) será de 8% (valor aproximado);

 – O comércio pratica o mark-up 2 sobre o preço de aquisição, ou seja, a mercadoria adquirida por R$ 60,00 será vendida, em média, por R$ 120,00;

 – As despesas mensais serão:

     . $ 4.000,00 aluguel e condomínio;

     . $ 2.400,00 salário fixo para dois funcionários mais comissão de 3% sobre a venda individual. Sobre a comissão incide o Descanso Semanal Remunerado. Consideraremos 25 dias úteis e 5 dias de descanso. Encargos sociais e trabalhistas (férias, décimo terceiro, FGTS, indenizações etc.) de 30%;

     . $ 4.000,00 pró-labore, ou seja, o salário do proprietário que irá administrar a loja;

     . $ 1.000,00 honorários do contador e mensalidade do software de gestão;

     . $ 1.200,00 energia elétrica, água, telefone e internet;

     . $ 2.000,00 material de limpeza, expediente, manutenção do imóvel etc.;

     . $ 1.500,00 propaganda e publicidade

     . $ 1.000,00 diversas pequenas despesas.

Com base nestas informações é possível saber se o empreendimento irá gerar lucro. Abaixo serão demonstrados três cenários: o primeiro com o faturamento informado pelo investidor; o segundo será o ponto de equilíbrio, ou seja, o faturamento que pagará todos os custos sem que haja prejuízo ou lucro; e o terceiro, que finalmente promete lucro maior.

                                          A               B                   C

Faturamento                    40.000      47.450          60.000

CMV                                20.000       23.875         30.000

Imposto (8%)                   3.200          3.820           4.800

Comissão (3%)               1.200           1.432            1.800

DSR                                  240              287               360

Encargo Social                432              516               648

Desp. Fixa                       17.820         17.820           17.820

Lucro Líquido                  2.892-                0             4.572

                                         -7,23%                                7,62%

Para encontrar o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) basta dividir o faturamento por dois (2), que é o mark-up esperado.

O imposto e a comissão são obtidos pela simples multiplicação pelos percentuais informados (8% e 3% respectivamente). O Descanso Semanal Remunerado (DSR) obtém-se dividindo o valor da comissão por 25 (dias úteis) e multiplicando por 5 (dias de descanso).

O Encargo Social informado foi 30%, então aplique sobre o resultado do somatório da comissão e DSR. A despesa fixa é o resultado da soma dos números informados acima mais o encargo social sobre o salário (2.400 x 30% = 720), então: 17.100 + 720 = 17.820.

No cenário A, ou seja, R$ 40.000 de vendas, foi apurado R$ 2.892 de prejuízo. Isto não significa que o investimento deve ser abandonado, mas sim que será necessário mais investimento para suportar o período de deficit.

Se o investidor não tiver capacidade de suportar o período de faturamento com prejuízo, melhor buscar outra oportunidade.

O cenário B é o Ponto de Equilíbrio: é necessário vender R$ 47.450 para cobrir todos os gastos. Por fim, o cenário C com faturamento de R$ 60.000, onde se apurou lucro de R$ 4.572, equivalente a 7,62%.

Muitas outras análises podem ser feitas com mais cenários, inclusive mark-up’s diferentes, para ter subsídios e decidir com segurança pela continuidade ou não do investimento.

Gilmar Duarte é palestrante, contador, autor dos livros “Honorários Contábeis” e “Como Ganhar Dinheiro na Prestação de Serviços” e CEO do Grupo Dygran (indústria comércio do vestuário, software ERP e contabilidade).

Com esta obra o pequeno e médio empresário terá condições de compreender a importância da precificação correta para a sobrevivência de qualquer organização e comprovará que a mesma é menos complexa do que parece, sentindo-se motivado a implantá-la na sua empresa prestadora de serviços!Totalmente atualizada e com linguagem acessível!  Guia para implementação de cálculo do preço de serviços contábeis e correlatos. Escritórios contábeis e profissionais de contabilidade têm um dilema: quanto cobrar de seus clientes? Agora chega às suas mãos um guia prático, passo-a-passo, de como fazer este cálculo de forma adequada. Com linguagem acessível, a obra facilita ao profissional contábil determinar com máxima precisão o preço de seus serviços a clientes e potenciais clientes.Clique aqui para mais informações.

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Estudo da Viabilidade de um Novo Negócio

por Gilmar Duarte

Tomar a decisão de investir em um novo negócio tira o sono de muita gente por noites a fio, que acabam desistindo por medo.

É preciso muito mais do que apenas pensar, é preciso fazer pesquisas e contas.

Você que é empresário ou tem o sonho de um dia ter a sua própria empresa deve se perguntar como proceder para analisar se o investimento será viável, com possibilidades concretas de lucro.

Empolgada com o novo negócio, a grande maioria dos investidores esquece de fazer estudo criterioso e o resultado de, pelo menos 50% destes, é a frustração, pois veem a empresa fechar as portas antes de completar três anos.

Esta situação gera grandes problemas para a comunidade, que deixa de ter a empresa que oferta produtos ou serviço, gera empregos e arrecada tributos.

A empresa que morre precocemente normalmente consome a economia que o investidor possuía e ainda fica devendo para instituições financeiras, fornecedores e muitas vezes, familiares.

A solução mais viável para não participar da estatística da mortalidade precoce é antecipar-se com o estudo da viabilidade econômica.

Esta tarefa deve ser assessorada por um profissional competente, normalmente contador, administrador ou economista, que ajudará a levantar e organizar todas as informações necessárias.

Para fazer o estudo de viabilidade são necessárias muitas informações, mas vou arriscar-me a resumi-lo em 11 passos:

  • Escolha do ramo de atividade: com a velocidade com que o mundo está se renovando será normal a muitas atividades desaparecer num prazo curto, o que exige certo esforço de futurologia. Isso quer dizer que é necessário ter “bola de cristal”? Claro que não. Basta estar um pouco atento à economia e ler sobre tendências da evolução.
  • Validação da nova ideia: optar por uma atividade ou produto ainda inexistente no mercado exige a validação da ideia. Este processo deve acontecer com a resposta a algumas perguntas como: você está resolvendo algum problema real das pessoas? As pessoas desejam a solução deste problema? Qual é exatamente o problema? Quem serão os futuros clientes? Existem clientes suficientes? Como as pessoas resolvem o problema atualmente? Eles consideram a sua solução adequada? Eles estão dispostos a pagar pela sua solução? Quanto?
  • Ponto comercial: em alguns ramos de negócios, o ponto é fundamental. Isso exige certos cuidados para evitar que o mesmo se torne um empecilho para o sucesso do empreendimento. Analise o fluxo de pessoas, a visibilidade, estude o público, conheça os vizinhos, observe atentamente como é o acesso, considere o passado do local e, principalmente, compare diversos pontos diferentes.
  • Pesquisa de mercado: fazer a pesquisa de mercado – se possível com empresa especializada – em relação ao produto ou serviço, concorrência e clientes permitirá, com antecedência, conhecer os pontos fortes e fracos para potencializar os primeiros e tentar corrigir os segundos.
  • Fornecedores e funcionários: alguns ramos de atividade necessitam de mão de obra especializada. Portanto, é necessário viabilizá-la, bem como identificar aonde se localizam os fornecedores da matéria-prima ou mercadorias e considerar o tempo e custos para chegar até ao seu negócio.
  • Despesas fixas: as despesas fixas são aquelas que existirão, independente de vender pouco ou muito. Quanto menores, maior a possibilidade de produzir lucro. É necessário saber quanto elas representam;
  • Previsão do faturamento mensal: mais um exercício de futurologia se faz necessário. Não se trata de “chutar”, mas prever, com margem de segurança e com base em todas as análises já efetuadas, a evolução do faturamento dos primeiros meses e também dos primeiros anos, até atingir a estabilidade esperada;
  • Contribuição marginal: conhecer quanto custará para produzir ou comprar a mercadoria ou serviço permitirá calcular a margem de contribuição ou lucro bruto (vendas – custos diretosdespesas variáveis);
  • Demonstração do resultado (lucro): os investidores esperam o lucro líquido, ou seja, o que sobrará depois de pagar todos os custos e despesas. Para encontrar este número é utilizada a Demonstração do Resultado. É neste momento que se conhecerá a viabilidade e o retorno de investir no ramo;
  • Investimento necessário e tempo do retorno: com a apuração do montante a ser investido e o lucro a ser gerado, por meio do item 9, será possível calcular o tempo de retorno do investimento. Normalmente considera-se que se o investimento retornará em até cinco (5) anos, o que é bom negócio. Quanto menor o tempo de retorno, melhor será.
  • Critérios para a escolha do sócio: a escolha por gerir o negócio em sociedade pode se dar pela falta da totalidade dos recursos necessários ou por considerar ser mais fácil gerir o negócio. Conheço muitos casos de sociedade que terminaram em brigas, inclusive judiciais. É muito importante considerar o seu perfil e dos demais sócios para verificar a possibilidade de um bom “casamento.”

A decisão de montar uma empresa está longe de ser emocional, mas racional, de pesquisa e avaliação técnica.

Eu sempre digo que há duas formas de começar um negócio: se encantar, investir e “tocar para ver no que dá” ou fazer o estudo de viabilidade econômica.

O investimento em um profissional para auxiliar na análise da viabilidade do negócio não se trata de uma despesa, mas a opção inteligente para evitar que toda a sua economia se dissolva. O planejamento é fundamental para alcançar o sucesso.

Gilmar Duarte é palestrante, contador, diretor do Grupo Dygran, autor dos livros “Honorários Contábeis” e “Como Ganhar Dinheiro na Prestação de Serviços” e membro da Copsec do Sescap/PR.

Com esta obra o pequeno e médio empresário terá condições de compreender a importância da precificação correta para a sobrevivência de qualquer organização e comprovará que a mesma é menos complexa do que parece, sentindo-se motivado a implantá-la na sua empresa prestadora de serviços!Totalmente atualizada e com linguagem acessível!  Guia para implementação de cálculo do preço de serviços contábeis e correlatos. Escritórios contábeis e profissionais de contabilidade têm um dilema: quanto cobrar de seus clientes? Agora chega às suas mãos um guia prático, passo-a-passo, de como fazer este cálculo de forma adequada. Com linguagem acessível, a obra facilita ao profissional contábil determinar com máxima precisão o preço de seus serviços a clientes e potenciais clientes.Clique aqui para mais informações.

Contabilidade

Análise das Demonstrações Financeiras

As atividades empresariais envolvem recursos financeiros e orientam-se para a obtenção de lucros. Os recursos investidos na empresa pelos proprietários (capital próprio – Patrimônio Líquido) e por terceiros (capital de terceiros – Passivo Exigível) encontram-se aplicados em ativos empregados na produção e/ou comercialização de bens ou na prestação de serviços.

As receitas obtidas com as operações devem ser suficientes para cobrir todos os custos e despesas incorridos e ainda gerar lucros. Paralelamente a esse fluxo econômico de resultados, ocorre uma movimentação de numerário que deve permitir a liquidação dos compromissos assumidos, o pagamento de dividendos e a reinversão da parcela remanescente dos lucros.

Para poder sobreviver e prosperar, uma empresa precisa satisfazer seus clientes. Ela deve, também, produzir e vender produtos e serviços obtendo um lucro. Para poder produzir, ela precisa de muitos ativos – fábrica, equipamentos, escritórios, computadores, tecnologia, etc. A empresa precisa decidir quais ativos comprar e como pagar por eles.

Uma das ferramentas imprescindíveis a tal administração é a análise periódica das demonstrações financeiras. Interessante que tal análise não compreende só a empresa administrada em si, mas também clientes e fornecedores, visando avaliá-los para efeitos de concessão de crédito ou para contratação eficaz, medindo o desempenho econômico e financeiro.

Dentre as análises relevantes, destacam-se o endividamento, liquidez, solvência, rentabilidade, produtividade, rotatividade e outras avaliações setoriais. Este trabalho tende a ser relegado a simples cálculos, mas é necessário que o analista procure, além da simples percepção dos números, uma avaliação mais específica para os objetivos da análise em si.

De nada adianta, por exemplo, considerar um alto nível de rentabilidade, se a liquidez está crítica, ou se as dívidas de curto prazo, apesar de baixas, somadas às dívidas de longo prazo, excedem o valor dos ativos.

Recomenda-se que a análise das demonstrações financeiras seja orientada para seus objetivos, ponderando as variáveis de risco mais críticas ou efetuando análises mais específicas (mesmo que não usuais).

Conheça uma obra específica voltada a análise das demonstrações financeiras, escrita pelo consultor, contabilista e professor Reinaldo Luiz Lunelli:

Guia Prático para Avaliação e Indicadores das Demonstrações Contábeis! Aspectos Práticos e Exemplificadas de Análises Financeiras. Com linguagem acessível, a obra facilita ao usuário a análise de balanços, mostrando as principais técnicas e cuidados necessários a serem tomados no momento da realização das análises. Explicações detalhadas e exemplificadas! Clique aqui para mais informações.

Notícias de Contabilidade

Notícias Contábeis 07.08.12

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