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“Tabelamento” dos Honorários Contábeis!

por Gilmar Duarte

Para refletir: trata-se de visão do tabelamento de honorários contábeis diferenciada ou distorcida?

A expressão TABELAMENTO DE PREÇO remete ao controle governamental dos preços ocorrido entre meados da década de 1980 até os anos iniciais da década seguinte.

Os “veteranos” lembram-se da atuação dos “fiscais do Sarney”, aqueles que ajudavam a denunciar quem se atrevesse a aumentar os preços definidos na “Tabela da Sunab”. No entanto, a falta de coerência do governo levou a prática ao descrédito.

O artigo 170 da Constituição de Federal do Brasil, promulgada em 1988, trata da valorização do trabalho como forma pela qual a nação rumaria ao desenvolvimento. Diz o texto: “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano […]”

A livre concorrência propagada nos quatro cantos do planeta e citada como um dos princípios da ordem econômica no mesmo artigo 170 da Constituição Federal deve ser trabalhada em conjunto com a valorização do trabalho, caso contrário terá o foco limitado no preço, e aí sabemos como termina: a qualidade cai por terra para sustentar o baixo preço.

No meio empresarial contábil, os honorários inexpressivos, balizamento para manter ou conquistar clientes, empurram para serviços não realizados ou parcialmente executados, despencando a valorização da classe.

Ao navegar nos mais diversos sites de sindicatos encontram-se propostas de tabelamento de honorários contábeis com nomes diversificados: tabela referencial, planilha orientativa, proposta de preços etc.

Intimidados – e com razão – pela possibilidade de ser enquadrados como cartéis e penalizados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), estes sindicados redigem no prólogo tratar-se de sugestões, cabendo ao contador definir os preços de acordo com seus custos.

No entanto, nas reuniões ou conversas entre empresários contábeis fica estampado que a “sugestão” é o preço mínimo que deveria estabelecer e não os vis praticados pela concorrência. Pensam: o Conselho Regional de Contabilidade (CRC) deveria ditar os preços mínimos e banir aqueles que não os acatassem.

A qualidade do serviço – expectativa do Governo, do CRC, do cliente e também a nossa – será realidade somente com a conscientização de quem a deseja – Governo e cliente – e quem pode interceder por ela é o CRC e a classe empresarial, encabeçada pelos sindicatos patronais. Mas o tema “tabelamento” visivelmente tornou-se tabu, entranhado pelo medo do que poderá acontecer.

O estabelecimento dos preços por categoria (classe, excelência, habilidade ou espécie) é possível de concretizar sem que seja caracterizado cartel e sem prejudicar a livre concorrência.

O absurdo cometido pelos “fiscais do Sarney” em denunciar e até fechar estabelecimentos no governo José Sarney era normal e aceitável (absurdo!). Nos dias atuais, esta mesma incoerência fica evidente com os adeptos unicamente da LIVRE CONCORRÊNCIA em detrimento da VALORIZAÇÃO DO TRABALHO HUMANO.

É perfeitamente viável criar e praticar uma política de VALORIZAÇÃO DO TRABALHO, apreciação dos serviços provindos dos profissionais que desejam ofertar muito mais do que simplesmente preços ordinários e ilusórios.

A tabela orientativa, sugestiva ou referencial é exatamente a proposta aguardada pela classe empresarial contábil, mas não da forma como está sendo propagada, pois a cada dez projetos de “tabelamento” pesquisada na Internet fica estampada a incongruência e diante de tanta desigualdade o prestador de serviço fica incrédulo.

Gilmar Duarte é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor dos livros “Honorários Contábeis” e “Como Ganhar Dinheiro na Prestação de Serviços” e empresário do ramo contábil.

Recomendamos a leitura das seguintes obras:

Com esta obra o pequeno e médio empresário terá condições de compreender a importância da precificação correta para a sobrevivência de qualquer organização e comprovará que a mesma é menos complexa do que parece, sentindo-se motivado a implantá-la na sua empresa prestadora de serviços!Totalmente atualizada e com linguagem acessível!  Guia para implementação de cálculo do preço de serviços contábeis e correlatos. Escritórios contábeis e profissionais de contabilidade têm um dilema: quanto cobrar de seus clientes? Agora chega às suas mãos um guia prático, passo-a-passo, de como fazer este cálculo de forma adequada. Com linguagem acessível, a obra facilita ao profissional contábil determinar com máxima precisão o preço de seus serviços a clientes e potenciais clientes.Clique aqui para mais informações.

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Divida o Conhecimento e Multiplique o Resultado

O isolamento reduz a chance de sucesso de qualquer pessoa. Se não, pelo menos a obriga a esforçar-se mais. A troca de experiências é fabulosa, pois somente o que é dividido pode ser multiplicado.

Nas mais diversas atividades (lazer, espiritual, trabalho etc.), deparamo-nos com certa frequência com pessoas com dificuldades em manter o relacionamento pessoal com terceiros, preferindo atividades independentes. Egoísmo? Na maioria das vezes não creio tratar-se de soberba, mas de falta de treinamento para atividades coletivas.

Este exercício começa muito cedo e talvez fique mais fácil de lembrar dos tempos da escola, quando o professor dava atividade em grupo e aí começava o problema.

Sempre há aqueles que se encostam nos colegas, em nada colaboram para a realização do trabalho e ainda, por vezes, atrapalham, o que claramente piora quando o professor exige a participação de todos na apresentação.

Neste ponto é provável que os “encostados” prejudiquem a nota do grupo, o que será minimizado se alguém for para o sacrifício de orientar quem nem sempre está disposto a aprender.

Não devemos deixar que fatos como o citado acima atrapalhem a vida profissional, pois sabemos que o trabalho coletivo tem maiores possibilidades de sucesso.

Um craque do futebol pode ser fundamental para o time, embora sozinho não consiga o mesmo resultado que o grupo unido. Já tivemos a oportunidade de observar, no Campeonato Brasileiro de Futebol, times considerados inexpressivos em relação aos salários dos jogadores, que venceram o campeonato.

Sindicatos e associações têm a finalidade de reunir pessoas, profissionais ou não, para enfrentar dificuldades e vencê-las com menor esforço.

Jesus poderia ter feito todo o trabalho de evangelização sozinho, mas preferiu chamar ajudantes e compartilhou as atribuições. Pessoas bem treinadas podem conduzir o trabalho por longa data sem que o líder esteja ao lado o tempo todo.

Devemos buscar saber a causa do isolamento de alguém em nosso grupo que não consegue contribuir: se timidez, falta de conhecimento, preguiça, soberba ou até inabilidade no relacionamento humano.

Conhecer o real motivo é o primeiro passo para ajudá-lo a vencer sua dificuldade e tornar-se um membro ativo e produtivo.

No meio contábil a timidez é uma constante, pois a formação recebida não é a de diálogo, mas de concentração em tarefas em sua maioria, individuais.

Superar esta barreira é fundamental, especialmente por aqueles profissionais que são ou desejam atuar como empresários.

A comunicação (ouvir, pensar e responder) é indispensável para manter a equipe unida e produtiva, bem como nos demais relacionamentos, especialmente com os clientes. A boa comunicação torna as pessoas simpáticas e facilita a aproximação.

Todo empresário, inclusive o contábil, ao invés de demonstrar ser completamente autônomo, precisa maximizar o relacionamento com os concorrentes. Concorrentes? Naturalmente, pois os empresários das indústrias metalúrgicas, do comércio varejista, dos hospitais, da atividade rural etc., unem-se para somar forças.

São concorrentes que obviamente não revelam os segredos das empresas, mas compartilham as dificuldades para transformá-las em facilidades. Não há sindicato que agregue empresários incompatíveis, mas afins (normalmente o mesmo ramo de atividade).

Isolamento é uma ferramenta suicida. Pratique a fusão do conhecimento para disseminá-lo. Você e todo o grupo ganharão com isso.

Gilmar Duarte é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor dos livros “Honorários Contábeis” e “Como ganhar dinheiro na prestação de serviços” e membro da Copsec do Sescap/PR.

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Des(dez)motivação

Por Gilmar Duarte

A depressão será o mal do século XXI. Acredita-se que 30% da população mundial sofra da doença, sem saber. A indisposição é mais forte com ela, mas acontece também sem ela.

São tantos problemas no nosso dia a dia: trabalho, família, escola, igreja, amigos e até mesmo no lazer. Esses problemas se não forem bem resolvidos nos deixam melancólicos e sem ânimo para desenvolver as atividades que podem ser prazerosas. E mais ainda, o desanimo poderá desencadear um processo depressivo.

A vida pode ser um constante mar de tempestades, mas também ser de belos dias com brisas suaves. Tudo isto dependerá de como a encaramos.

Nesta semana recebi o convite para participar de um grupo no WhatsApp de contadores da Baixada Fluminense (Rio) e logo compreendi tratar-se profissionais da contabilidade que estavam reerguendo um sindicato que havia sido fundado em 1956 e por algum motivo tinha paralisado suas atividades há algum tempo.

Antes de manifestar-me preferi ficar atento para conhecer as pessoas e suas intenções e tive a grata satisfação de assistir construção de uma bela e promissora história. Pessoas motivadíssimas e desejosas da união para oferecer melhores condições para toda a classe contábil.

O momento que estavam discutindo a recriação da logomarca foi especial. Segue alguns dos comentários:

  • Deve ser algo inovador;
  • Tem que ser como um marco para alavancar a região;
  • Algo que a classe se sinta valorizada;
  • Deve sair da mesmice;
  • Cor que remeta à sobriedade;
  • Uma planta que represente a segurança.

Um dos membros, com alguma habilidade transformou as muitas sugestões numa linda logomarca, mas destacou a importância de contratar um profissional de designer para desenvolve-la. “Isto é apenas um esboço”, disse ele.

Nessas pessoas em nenhum momento observei que houvesse a DESMOTIVAÇÃO, mas sim DEZ MOTIVOS PARA A AÇÃO. Certamente havia mais que dez motivos. As pessoas não reclamavam das dificuldades, dos problemas, das finanças, da concorrência desleal, mas desejavam construir algo em benefício da categoria.

Fez lembrar-me quando iniciamos os estudos para buscar critérios claros e justos para precificar os serviços contábeis e um colega “mais experiente” disse que “Já foi tentado de tudo e nunca deu certo. Vocês só perderão tempo.” Nós investimos muito tempo e deu certo, mas mesmo que não tivéssemos sucesso ficaríamos orgulhoso por ter tentado.

A coisa mais emocionante é ver pessoas se esforçando para fazer algo melhor. Quando são jovens é contagiante o atrevimento de alguns, mas quando são pessoas experientes, considero o atrevimento maior ainda, pois é nítido que continuam com a mente jovem.

Amigos da “Baixada” não percam este atrevimento, mesmo com o passar do tempo continuem com a mente jovem e tenham a certeza que sempre é possível fazer mais e melhor. Parabéns!

Gilmar Duarte é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor dos livros “Honorários Contábeis” e “Como ganhar dinheiro na prestação de serviços” e membro da Copsec do Sescap/PR.

Atenção: O autor aceita sugestões para aprimorar o artigo, no entanto somente poderá ser publicado com as modificações se houver a prévia concordância do autor.

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Como Você Enxerga os Líderes das Associações da Classe Contábil?

(artigo enviado pelo autor em 01.12.2014)

Em todos os movimentos existem os bons e os maus e não é justo que sejam colocados todos no mesmo cesto. Neste artigo homenageio àqueles que empenham-se pela valorização da classe empresarial contábil.

Há muitos anos acompanho o trabalho realizado pelos sindicatos e associações dos contabilistas do Brasil e já chamei a atenção, em um artigo, daqueles que se “empoleiram nas cadeiras” sem produzir qualquer coisa de útil, mas hoje quero enaltecer o outro lado, o lado daquelas pessoas que são a grande maioria e tem realizado magnífico trabalho pela valorização da classe que dignamente representam.

Todos sabem da luta para compor a diretoria, pois poucos sentem-se capacitados ou disponíveis para dedicar algumas horas da semana em favor de seus colegas. Mas depois é significativa a parcela dos que reclamam. Claro que os associados podem e devem criticar o trabalho dos abnegados líderes voluntários, mas juntamente com as críticas (construtivas) também devem apresentar propostas para os problemas levantados.

Outro ponto a ser destacado é que diversos julgamentos vêm de pessoas não associadas. Filiar-se a uma organização que luta para defender a classe e proporcionam condições de trabalho mais digna deveria ser uma exigência de todos e não a súplica dos líderes. Sabemos que normalmente associam-se menos de 10% da classe, e isto é muito pouco.

Em qualquer roda de empresários contábeis, independente se é formada de pequenas ou grandes empresas, facilmente conclui-se que a principal missão da entidade patronal é criar condições para que o trabalho seja mais valorizado. Dizem ainda que os concorrentes prostituem os honorários, fazendo com que seja impossível executar bons serviços com o valor proposto pelo mercado.

Ouvindo essas observações os líderes das associações fazem a leitura perfeita: oferecem treinamentos para os contabilistas serem melhores gestores. Assim disponibilizam treinamentos como: marketing contábil, precificação dos serviços e formação de consultores.

A expectativa é de encerrar as inscrições logo nos primeiros dias do lançamento do curso, como acontece com os treinamentos para conhecer as mudanças nos Sped’s, alterações do Simples Nacional ou do Imposto de Renda. Mas para a surpresa de todos ficam lugares vazios na plateia. Os pequenos empresários contábeis e mais especialmente os novos, muitas vezes ainda não sabem gerir o seu negócio e por este motivo praticam preços deploráveis e trabalham com um “burro”, percebe-se a ausência.

Caros lideres, a luta é grande e somente pessoas bem determinadas atingem seus objetivos e portanto deixam uma marca na história da entidade que nunca será apagada. Certamente que os associados conseguem distinguir o joio do trigo, ou seja, reconhecer os bons lideres.

Gilmar Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro “Honorários Contábeis” e membro da Copsec do Sescap/PR. 

Atenção: o autor aceita sugestões para aprimorar o artigo, no entanto somente poderá ser publicado com as modificações se houver a prévia concordância do autor.

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Contabilista: “Virando a Mesa”

Por Júlio César Zanluca, contabilista e coordenador do site Portal de Contabilidade

A expressão “virar a mesa” tem vários significados, mas, neste artigo, utilizo-a como positivo, no sentido de “virar o jogo”, de “aproveitar a oportunidade” e de “mudar de ação”, sem apelar para qualquer ato ilegal ou imoral.

Neste sentido, nós, contabilistas, precisamos demonstrar, à sociedade brasileira, em especial à opinião pública e aos governos Federal, estaduais e municipais que não somos agentes passivos numa relação de dependência das ordens emanadas pelos agentes públicos.

Por exemplo: incentive seus clientes a mudarem de pensamento em relação às práticas tributárias e contábeis. Não consegue financiamento? Então elabore o balanço de acordo com as regras internacionais e, ao invés de procurar banqueiros e outros agentes de extorsão legalizados, procure sócios capitalistas (“anjos investidores”), negocie diretamente com fornecedores uma trégua nos aumentos de preços, troque de fornecedor (se for o caso), verifique no SEBRAE outras opções, faça orçamentos e invista em produtividade, etc.

Outra participação que nós contabilistas podemos fazer é incentivar os empreendedores a pensarem em planejamento tributário permanente, e não somente aquele “de emergência”. Especial atenção para o Simples Nacional, pois no setor de serviços tende a ser, em 2015, muito mais oneroso que o lucro presumido. Esteja atento à recuperação de créditos tributários e outras maneiras lícitas de economia fiscal.

Se você não lê, não busca novos conhecimentos, não procura informação, então dê uma virada de mesa e passe a ler, pelo menos alguns minutos por dia, sobre tendências, novidades e novos recursos de nossa profissão. Treine seus colaboradores, exija deles um alto desempenho (mas esteja preparado para devolver esta produtividade em maior remuneração ao longo do tempo).

Renegocie, aja, faça balanços transparentes e confiáveis, fuja dos bancos, procure capital de risco, distribua lucros aos empregados (PLR) ao invés de aumentos salarias, etc. – MAS FAÇA ALGO!

Na área pública, pressione os sindicatos para agirem de imediato contra as pretensões do Governo Federal em reintroduzir aumentos tributários (como a CPMF) – se seu sindicato apenas cobra a mensalidade/anuidade, e não faz nada neste sentido, está na hora de trocar de sindicato (ou até fundar um que funcione, de fato…)!

O que não dá mais para continuar é esta inflexível pressão dos órgãos fazendários e reguladores em cima dos contabilistas, exigindo tudo e nos prazos mais exíguos. Afinal, somos 500.000 profissionais no Brasil, e precisamos atuar de forma que a sociedade seja mais justa, mais coerente e mais saudável, e isto começa por nós – não basta reclamar, temos que agir!

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